Em nossa época, considera-se a mulher atraente, desejável e de sucesso apenas quando ela é magra e bela.Na medida em que o corpo esbelto e firme torna-se uma norma consensual, e agrega representações imaginárias de supervalorização e prestígio, que mulher em nossos dias não sonha ser mais magra? Mesmo as que não apresentam nenhum excesso de peso por vezes desejam emagrecer.
Assim, o conceito atual de moda que determina a magreza como símbolo de beleza e elegância tem sido apontado como um dos principais fatores que desencadeiam os Transtornos Alimentares, tais como a Anorexia e a Bulimia. Qual a diferença entre Anorexia e Bulimia? A grande diferença entre uma e outra é que os bulímicos comem grandes porções de comida e depois se valem de diversos dispositivos como provocar vômitos, usar laxantes e diuréticos para se livrar dela. E os anorécticos não fazem isto, pelo contrário, não comem. Temos observado que há um número crescente de pessoas entre nós que apresentam transtornos no comportamento alimentar. Este aumento de incidência está relacionado à importância que se atribui à imagem corporal nos países desenvolvidos e às mudanças observadas nos padrões alimentares da população em geral. A doença não escolhe classe social e chegou a círculos privilegiados, como no caso da filha do presidente francês Jacques Cirac e da princesa Victória, da Suécia. Entre as vítimas mais velhas, é preciso lembrar a modelo Kate Moss, que já foi hospitalizada por anorexia, e a princesa Diana, bulímica assumida. Mas, além de chegar à moda e ao poder, círculos em que a obsessão com a aparência é constante, a anorexia e a bulimia têm tirado o sono de milhares de famílias anônimas em todo o mundo, que vêem suas filhas sempre às voltas com dietas e programas de beleza, e nem sempre sabem reconhecer o limite entre a preocupação com a beleza e a distorção da autoimagem. Por isso, em geral, as famílias só detectam o problema quando a situação já é de emergência, o que torna maiores os riscos de que a doença seja fatal. * Psicóloga, psicanalista, especialista em Transtornos Alimentares e Obesidade e Saúde Publica. Secretária Geral do Instituto Brasileiro Interdisciplinar da Obesidade (INBIO). Atua na área clinica há 30 anos. E-mail: bethgatto @ inbio.org.br
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