Os principais fatores de risco para o aparecimento e manutenção da hipertensão relacionam-se com: a herança familiar; obesidade; hábitos alimentares (como por exemplo: comer muito sal); fumar; sedentarismo; consumo de bebida alcoólica; ansiedade e outros.
Consideremos um caso em que o paciente tem 50 anos e se queixa de dores no peito e tem pressão arterial elevada. Na avaliação clínica faz-se um levantamento do histórico familiar e de como são as dores. A princípio, receita-se um anti-hipertensivo, recomenda-se diminuir o álcool e o sal e alguns exames são pedidos.
Até aqui, o atendimento ocorre como se deve, mas uma pergunta fundamental não foi feita: como vai a família? Se tivesse sido perguntado, saberia-se , então, que o paciente vinha passando mal desde que soube que o filho adolescente havia abandonado a escola e estava usando drogas. As dores e a alteração de pressão eram em parte, reflexo do desespero do pai.
Uma conversa e um encaminhamento seriam tão ou mais importantes que os exames e os anti-hipertensivos.
O que merece destaque é que o componente psicológico e, às vezes, o psiquiátrico também estão presentes em muitas enfermidades, pois na vida emocional, os estados de ansiedade ou angústia são muito comuns, e podem funcionar como precipitantes ou agravantes de problemas de saúde.
A ansiedade se expressa como um estado de apreensão vaga e não específica e pode ser uma resposta de adaptação e determinadas situações ou ser causada, por exemplo, pela frustração que acompanha expectativas
pessoais ou afetivas não atingidas.
A pessoa ansiosa pode apresentar-se irritadiça, mais sensível a ruídos, mostrar-se inquieta, preocupada com os prejuízos da atenção e da capacidade de concentração. Esses sintomas psicológicos da ansiedade podem ser acompanhados de manifestações físicas, como: boca seca; dificuldade de deglutir; dor no estômago; elevação da pressão arterial; sensação de aperto no peito; dificuldade de respirar; sudorese; dores de cabeça; dores musculares; zumbidos; insônia e outros.
O fundamental é empreender mudanças para o restabelecimento do equilíbrio emocional e, neste sentido a ajuda de pessoas íntimas,com as quais a pessoa sinta segurança em compartilhar as dificuldades que está enfrentando, é uma referência importante para minimizar as conseqüências que os estados ansiosos acarretam.
Reconhecer os primeiros sinais de tensão e fazer algo a respeito pode significar uma importante diferença na qualidade de vida e até mesmo influenciar na sobrevivência do indivíduo.
* Psicóloga, psicanalista, especialista em Transtornos Alimentares e Obesidade e Saúde Publica. Secretária Geral do Instituto Brasileiro Interdisciplinar da Obesidade (INBIO). Atua na área clinica há 30 anos.
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