Cada um tem que se observar e avaliar, examinando cada detalhe de si mesmo como se estivesse sendo julgado de fora.Os indivíduos obesos têm consciência de seu peso e forma e, embora se mostrem insatisfeitos com sua aparência isto não os impulsionam a deixarem de serem gordos: "estar de bem com a vida não significa ter um corpo esbelto!”.
Mas, este crescente culto ao “corpo perfeito” tem acarretado um contínuo desgaste emocional à pessoa do obeso, uma vez que se sente pressionado a seguir os padrões preestabelecidos, a fim de não se sentir mais excluído do que já é.
Comumente, a sociedade vê o sobrepeso pelo estereótipo de que é anti–social, fora do controle, hostil e agressivo. Com isso, reafirma-se a concepção de que a obesidade é sinal de falta de personalidade, preguiça e ausência de força de vontade, e que o obeso é inteiramente responsável por sua condição, o que intensifica a discriminação.
As dores do desprezo, do estigma e da repressão abalam factualmente a saúde física, mental e emocional do indivíduo obeso.
Em uma cultura de exclusão, o ser humano obeso busca incessantemente um lugar na sociedade, visando a um tratamento respeitoso e digno.Este parece ser o grande esforço do indivíduo obeso que,além de lidar com questões de saúde, especificamente, elabora árdua tentativa para se esquivar do preconceito social, no que diz respeito à sua pessoa.
Contudo, o olhar de outra pessoa em relação ao obeso, na maioria dos casos, não tem sido inspirador, incentivador, ou mesmo despido de quaisquer atitudes discriminatórias.O retrato atual demonstra que a construção da imagem do ser humano obeso está embasada em uma contínua tentativa de superação do preconceito e do estigma social.
É urgente “olhar os gordos” de um modo humano e simpático, não pela dialética do agrado ou desagrado, mas na perspectiva de um igual, pelo reconhecimento da condição humana, resgatando a pessoa que existe dentro do obeso.
A propósito, assista ao filme “O amor é cego”, ele toca numa questão importante e trás a sugestão da necessidade de uma visão mais aberta ou “normal”, relativamente aos gordos, aos doentes e aos deficientes físicos em geral, por mais repulsivos que possam parecer. Tudo isso mostrado numa tonalidade leve e permeado com cenas hilariantes. Divirta-se.
* Psicóloga, psicanalista, especialista em Transtornos Alimentares e Obesidade e Saúde Publica. Secretária Geral do Instituto Brasileiro Interdisciplinar da Obesidade (INBIO). Atua na área clinica há 30 anos.
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