Inbio - Instituto Brasileiro Interdisciplinar da Obesidade

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte
Home

Uma Pessoa Verdadeiramente Bonita...

E-mail Imprimir PDF
 A tendência, nos últimos anos, tem sido decididamente em direção à norma de magreza. A norma social de magreza leva as mulheres, e também muitos homens, a perceber esta norma de forma particularmente forte e universalmente sustentada, tanto em termos de comportamentos: fazer dietas, prática de exercícios físicos como de atitudes: desejo de ser magra, esforços para ser magra e, em casos mais extremos, o aparecimento de doenças como a anorexia, bulemia e mesmo a obesidade.

Existe, não raro, um círculo vicioso estabelecido aqui: quanto mais uma pessoa se concentra em sua aparência corporal, pior tende a sentir-se a respeito do que vê “a obsessão alimenta o descontentamento”. Para que as mulheres possam se sentir melhor no seu corpo “real”, não adianta sobrepor ao espelho um retrato mais bem acabado. Elas podem sim, a longo prazo, tentar modificar suas relações consigo mesmas e assim influenciar os seus olhares. Mas, antes disso, é urgente aceitar a imagem que é a dela e descobrir ou desenvolver seus charmes possíveis. A arte de melhorar a relação consigo mesma, ou seja, modificar a própria percepção, não passa por uma mudança radical e veleidosa - não adianta recusar nossas caretas. Mesmo que elas nos pareçam grotescas, é melhor aceitá-las, assumi-las, examiná-las com carinho e enxergar nelas as razões possíveis de um apreço. Ou seja, em vez de querer ser outro, é mais interessante inventar o que podemos fazer com o que somos.

Talvez, para muitas mulheres insatisfeitas com a sua aparência física, o que falta seja a percepção de Rubem Braga, que numa de suas crônicas escreveu “sobre o bem que a beleza faz, o encantamento que a mera visão de uma pessoa bonita pode significar”:

• “Uma pessoa verdadeiramente bonita ...

• Tem inteligência no olhar e sinceridade no sorriso; seu rosto tem ângulos distintos, mas em nenhum falta personalidade.

• Fala articuladamente, expressando saber o que diz.

• Aparenta a idade que tem e sente prazer em amadurecer.

• Tem presença social, mas não faz gênero; é informal, mas sabe manter reserva.

• Não tem todos os traços perfeitos, mas um conjunto especial de traços bons.

• Está à vontade em seu corpo; anda com leveza e gesticula com segurança. Sabe que elegância e charme são mais raros que a boa aparência.

• Tem o corpo bem feito e bem cuidado, mas não aparenta ter tempo e narcisismo suficientes para ir à academia todo dia.

• Não é exibicionista nem assexuada, é sensual e jamais vulgar;valoriza pouco seus trunfos e disfarça pouco seus defeitos.

• Não segue tribos nem modismos; seleciona o que surge, sem ansiedade.

• Conhece o estilo de roupa que combina com seu estilo de ser,mas não usa apenas um tipo de roupa; sabe se vestir para uma ocasião de gala e uma ida à padaria.

• Não é muito baixa nem muito alta; não lhe faltam ombros, mas lhe sobram braços e pernas.

• Tem a pele e os cabelos bonitos por natureza; é econômica em artifícios.

• Tem humor, mas é séria; sabe infiltrar o humor nas ocasiões sérias e sabe ver a seriedade no filtro do humor.

• Mostra ser carinhosa, mas com exclusividade a conquistar, é doce e forte ao mesmo tempo.”

* Psicóloga, psicanalista, especialista em Transtornos Alimentares e Obesidade e Saúde Publica. Secretária Geral do Instituto Brasileiro Interdisciplinar da Obesidade (INBIO). Atua na área clinica há 30 anos.