Inbio - Instituto Brasileiro Interdisciplinar da Obesidade

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Desconto para os alunos que se inscreverem nos dois cursos realizados em Curitiba – Avaliação Psicológica de Pacientes Candidatos à Cirurgia Bariátrica e Atualidade Interdisciplinar na Cirurgia Bariátrica

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Atualidade Interdisciplinar na Cirurgia Bariátrica.

Objetivo: Apresentar o conhecimento científico, processo e a importância da equipe multidisciplinar no atendimento dos pacientes com obesidade. Oferecer informações atuais a partir de experiências clínicas e pesquisas científicas.

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Curso - Avaliação Psicológica para Candidatos à Cirurgia Bariátrica

Objetivo:
Apresentar o processo e a importância da Psicologia na avaliação de pacientes candidatos à cirurgia bariátrica e na equipe interdisciplinar. Oferecer informações a partir de experiências clínicas e pesquisas científicas.

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Consumo Familiar e Obesidade

A obesidade é uma doença epidêmica, que se propaga rapidamente no mundo moderno e é um tema que vem ganhando aos poucos, de alguns anos para cá, espaço na mídia, na sociedade, no meio médico, psicológico, nutricional etc. É necessário que profissionais de várias áreas procurem se debruçar sobre este problema.

A obesidade interfere diretamente na vida da pessoa, causando problemas e custos, tanto para seu tratamento específico, como para o controle e tratamento das doenças correlacionadas.

No dia 24 de fevereiro de 1999, o então Ministro da Saúde, José Serra, instituiu, por meio da Portaria n. 144, o “Dia Nacional de Combate à Obesidade”, a ser comemorado em 11 de outubro de cada ano. Será o dia símbolo de luta contra a doença.

Como justificativa para tal portaria, o Ministro teceu as seguintes considerações:

• o excesso de peso representa um importante problema da saúde pública. No Brasil, cerca de 27 milhões de adultos (32%) apresentam algum grau de excesso de peso; destes, 27% e 38% correspondem aos percentuais para a população masculina e feminina, respectivamente;

• a obesidade é representada por cerca de 8% do total de adultos brasileiros. Estimase, portanto, que existam aproximadamente 6,85 milhões de indivíduos obesos;

• do total de obesos, mais de 70%, ou sejam 4,9 milhões são mulheres. Quando se compara à prevalência de obesidade em mulheres em outros países, o Brasil apresenta valores mais altos que os da Austrália, Reino Unido, Holanda ou Canadá, países onde a obesidade é um dos mais importantes problemas de saúde pública;

• as doenças crônicas não transmissíveis (doenças cardiovasculares, diabetes mellitus, entre outras), relacionadas a hábitos de vida e práticas alimentares inadequadas, são a primeira causa de mortalidade no país. Para que possamos nos familiarizar, conhecer e começar a entender o tema obesidade, considerada hoje um dos principais distúrbios da alimentação, apresentaremos a seguir, alguns de seus aspectos mais importantes.

Histórico

No período pré-histórico, cerca de 20.000 a 30.000 anos A.C., o culto à fertilidade era praticado através de rituais místico-religiosos. A Vênus de Willendorf, uma estatueta feminina, obesa, era um símbolo de fertilidade e maternidade. Várias foram as deusas e as figuras míticas representantes da fertilidade e agricultura, que continuaram a ser cultuadas na Antigüidade e admiradas por seus seios, quadris e coxas obesos.

Conhecida como obesidade visceral, este tipo de obesidade parece predominar em povos com fartura de alimentos e maior sedentarismo, estando também mais ligada a enfermidades. Já a obesidade glútea, um outro tipo de obesidade, também encontrada representada na arte da Idade da Pedra na França, Espanha, Creta, Iugoslávia,
Checoslováquia e Ucrânia, estaria mais ligada ao armazenamento de energia para garantir a sobrevivência do indivíduo e da espécie, e não parece estar relacionada a enfermidades.

Hipócrates já identificava a obesidade como doença e escreveu: “a morte súbita é mais comum nos indivíduos naturalmente gordos do que nos magros”; “mulheres gordas são menos férteis que as magras”. Preconizava que a pessoa obesa, para emagrecer, deveria fazer muitos exercícios após se alimentar, comer uma só vez ao dia,
não tomar banho, dormir em uma cama dura e caminhar desnuda a maior parte do tempo. Seu discípulo Galeno, assim como muitas pessoas até hoje, indicou a obesidade como uma falta de disciplina da pessoa (Repetto, 1998).

No mundo romano, o obeso era considerado, geralmente, uma pessoa boba ou de má índole. A obesidade era um  doença reconhecida pelos médicos, embora com uma conotação de desprezo. Não costumavam pesar seus pacientes obesos, e o tratamento consistia em dieta com baixas calorias, exercícios e banho várias vezes ao dia.

Galeno, considerado o maior médico da Antigüidade, identificou e descreveu dois tipos de obesidade: a moderada, uma forma natural de gordura, e a imoderada, uma forma patológica.

No Talmude, o estudo enciclopédico da lei judaica, há diversas citações sobre obesos e obesidade. Entre elas, o relato de uma cirurgia a que foi submetido o rabino Eleazar. Seu abdome foi aberto e de dentro foram retiradas cestas de gordura. Não se sabe quem realizou a cirurgia ou se o rabino se recuperou ou não. Em uma outra citação, o rabino Eleazar Ben Simeon e seu pai vivem escondidos, por treze anos, das autoridades romanas da Galiléia. Apesar de comerem somente tâmara e poucas frutas, eles se tornaram obesos. Essa referência nos leva à genética da obesidade, ou seja, mesmo sem grande excesso alimentar uma pessoa pode tornar-se obesa (Repetto,1998).

A preocupação com o problema obesidade é denunciada em várias teses de doutorado no século XVIII. O primeiro livro popular de dietas foi escrito em 1863, por Banting. Ele demonstra, através de seu trabalho, como havia perdido peso. Era um panfleto intitulado: “Uma carta dirigida ao público sobre a corpulência”.

Foi no século XIX que apareceram as primeiras sugestões sobre a causa da obesidade. Já naquela época, verificaram que a causa não era única. Foi sugerida a possibilidade de que a obesidade poderia ser atribuída à quantidade de células de gordura. Foi testada a idéia de que a obesidade seria um desarranjo metabólico. Fatores familiares poderiam interferir no desenvolvimento da obesidade e foi nesta época também que apareceram os primeiros padrões de medida de peso corporal (Oliveira e Silva,1993).

Um dos fatores primordiais para o crescimento explosivo de obesidade é a redução do gasto calórico nas atividades cotidianas. Temos as escadas rolantes, vidros elétricos, telefone sem fio, controles remotos, computadores etc., que contribuem para o nosso sedentarismo e, conseqüentemente, para o acúmulo de gordura.

O conceito mais difundido nos dias de hoje é o de que a obesidade é uma síndrome com várias etiologias e reconhece-se geralmente que há um estigma sobre ela (Bray, 1990: 909-926).

Hoje podemos dizer que a obesidade é uma doença epidêmica, que se propaga rapidamente no mundo moderno. Pode-se constatar que o interesse e as pesquisas sobre obesidade não pararam e não devem parar.

Conceito

A definição clássica de obesidade é “o acúmulo excessivo de tecido adiposo no organismo” (Nunes et alli, 1998, p. 197).
Segundo o Consenso Latino-americano sobre obesidade, “a obesidade é uma enfermidade crônica que se caracteriza pelo acúmulo excessivo de gordura, a um nível tal que compromete a saúde” (Disponível via www: <http://www.abeso.org.br>. p. 39. [10 agosto 99] ).

Normalmente os termos sobrepeso e obesidade são usados como sinônimos, no entanto, são dois conceitos diferentes; o primeiro se refere a um aumento exclusivo de peso, enquanto que o segundo se relaciona ao incremento de adiposidade corporal.

Algumas pessoas parecem “programadas” para serem gordas; outras ficam gordas por diversas razões. A obesidade endógena ou primária se desenvolve a partir do interior; a obesidade exógena ou secundária requer um excesso de alimentação (Woodman, 1980, p. 12).

Existem vários métodos para se estimar o total de gordura no corpo. A relação peso/altura é um dos métodos mais utilizados e o mais simples. Para se calcular o IMC (Índice de Massa Corporal) divide-se o peso pela altura elevada ao quadrado (Morais, 1991, p.4).

Por meio deste método, considera-se obesidade o índice de massa corporal superior a 27 para homens e 25 para mulheres.

Tem-se a obesidade grau 1 (leve), quando o índice estiver entre 25 e 29,9; obesidade grau 2 (moderada), quando entre 30 e 39,9; obesidade grau 3 (mórbida), quando for acima de 40.

Este método, apesar de ser bastante utilizado, vem sendo criticado. Ele é um indicador de corpulência e não de adiposidade; não diferencia entre massa gorda e massa magra (Nunes et alli, 1998, p. 198).

Segundo Halpern (1994, p. 29-32), “há vários tipos de obesidade, boa parte delas com agregação familiar e com componente genético bastante provável; a esta influência genética são acrescidos fatores ambientais que exacerbam a tendência para o ganho de peso”. Ele divide os obesos em alguns grupos:

• Obesos de nascença – este tipo de gordura é o mais provavelmente associado com os genes e representa cerca de 30% dos casos de obesidade;

• Obesidade pubertária – prevalente nas meninas;

• Obesidade após o casamento – prepondera nos homens;

• Obesidade após a gravidez;

• Obesidade pós-cessação de atividade física;

• Obesidade após deixar de fumar;

• Obesidade causada por drogas (pílulas anticoncepcionais, anti-depressivos etc.);

• Obesidade da menopausa;

• Outras causas – por exemplo, a retirada do útero, a laqueadura das trompas para esterilização, em que, embora a obesidade possa ser atribuída a causas psíquicas (perda da capacidade de ser mãe, por exemplo), existem também evidências fortes de alterações hormonais.

Origem da obesidade

A origem da obesidade é multifatorial, ou seja, não existe uma única causa, e sim várias causas que agem conjuntamente para determinar o seu aparecimento.

Além da falta de atividade física, podemos também citar através de Santos (1988, p. 33- 38), outras causas como:

Aumento da ingestão alimentar

Pode ocorrer a instalação de um hábito familiar alimentar errado: ocorre quando os pais não sabem dar educação alimentar adequada aos seus filhos. Toda e qualquer comemoração gira em torno de uma mesa farta.
Trata-se de pessoas que são “condicionadas” desde a infância a comer muito e que gostam de alimentos ricos em calorias.

Alterações psicológicas

Algumas alterações psicológicas podem causar:

Compulsão pelo alimento: ocorre em crianças que são condicionadas por suas mães a comer, todas as vezes que se defrontarem com um problema ou sofrimento.

A perda do autocontrole: em situações de estresse, o indivíduo pode relaxar o autocontrole e passar a compensar seus problemas com a comida.

Falta de auto-estima

Pessoas que não se preocupam com a sua aparência desde a infância e adolescência, provavelmente serão adultos sem auto-estima.

A auto- estima é como o amor por si mesmo, uma preocupação constante por sentir-se bem.

Doenças Glandulares

Existem doenças glandulares que podem provocar uma diminuição do metabolismo, por exemplo: a doença de CUSHING (alterações de hormônios da glândula supra-renal, ovário policístico).

Conseqüências das doenças glandulares

Inúmeras doenças podem se agravar ou desencadear pela obesidade. Por exemplo:

- indivíduos que apresentam sintomas de alterações no sistema cardíaco, respiratório, locomotor, neurológico, digestivo, etc;

- inúmeras alterações metabólicas, tais como: intolerância à glicose, dislipidemia (aumento de colesterol e triglicerídeos), modificação nos níveis de ácido úrico etc.;

- doenças como: diabetes, infarto do miocárdio, gota, acidentes vasculares etc., que além de reduzirem a qualidade de vida, podem levar o indivíduo a uma morte prematura;

- alterações psicológicas, como: depressão e ansiedade.

Padrão de Beleza

Beleza é um conceito predominantemente subjetivo, portanto difícil de se definir.

Segundo Ivo Pitanguy, “belo é o que tem harmonia em suas formas, o que não choca a visão, que não destoa no seu conjunto – um conceito muito mutável, variando conforme a época”.

As mulheres “gordinhas”, há cerca de dois séculos, até o início do século XX, eram o tipo de beleza padrão. Nos anos 60 ser magérrima era o preferido. Hoje nos deparamos com formas mais voluptuosas e sensuais (grande procura pela cirurgia de aumento das mamas; pessoas freqüentando academias de ginásticas, buscando “tornear” o corpo, etc).

Mas afinal, quem dita o padrão de beleza? Podemos citar como exemplo: as indústrias (farmacêuticas, alimentação, cosméticos, etc), as modelos, as (os) artistas (TV e cinema), etc.

Como disse Pitangui, “até o início deste século (20), as mulheres mais gordinhas eram o tipo de beleza”. O que ocorreu durante esses séculos?

A revolução industrial colaborou muito para que essa mudança de padrão de beleza ocorresse. Teve início na Inglaterra nos meados do século XVIII. No Brasil entre 1930 e 1939. A consolidação do desenvolvimento industrial no Brasil se realizou entre 1956 e 1961.

A partir nos anos 20 e 30 mais mulheres passam a compor a força de trabalho e deixam apenas de ser donas de casa. O sexo feminino transforma-se em mão de obra para ajudar a compor o orçamento doméstico.

As novas tecnologias inundam o mercado e a medicina estética cresce muito também.

É nesse momento, em que temos que nos manter esteticamente na moda, que surgem os métodos milagrosos (As Dietas), que buscam resolver o problema da obesidade num passe de mágica.

O Consumo

Partindo-se do pressuposto que o papel de obeso pode ser adquirido, desenvolvido e mantido na sua própria cultura, e que a origem da obesidade é multifatorial, procuramos destacar aqui a influência do consumo na cultura familiar associada à alimentação e que padrões são muitas vezes estimulados no ambiente da família, perpetuando assim uma postura diante de práticas do consumo.

Por que é tão atrativo o consumo sem esforço? Por que é inegociável o estilo de vida do consumista?

Parece que as pessoas nunca estão satisfeitas, querem mais e mais, surgind assim o vazio, a insatisfação, a desvalorização. Vazio este que está presente e mascarado por um “falso eu”, ou seja, pelo narcisismo, caracterizado por uma inflada, grandiosa, intitulada e dominadora imagem própria. São indivíduos que tentam a todo custo encontrar um alto padrão do seu falso eu, e a sua habilidade para fazê-lo é zero, mas conseguem assim, mascarar o vazio que sentem.

O psicólogo Philip Cushman descreve, “o eu vazio procura a experiência de ser continuamente preenchido por bens de consumo, calorias (grifo nosso), experiências, políticos, companheiros românticos e terapeutas enfáticos em tentar combater a crescente alienação e fragmentação de sua era” (Kanner & Gomes. O eu consumista)

O marketing não só cria um impulso para a compra, para o consumo, mas também um “falso eu de consumidor”, um ideal que é assimilado como parte da identidade da pessoa. Quando falamos do falso eu do consumidor falamos de: a) falsos comerciais, os anúncios distorcem as verdades, eles mentem. O seu sucesso profissional
não depende de um big mac do McDonald ou ainda de uma pasta de dente; b) e em segundo lugar, é falso porque surge de uma distorção impiedosa de desejos e necessidades humanas autênticas. Sabemos que, no narcisismo, o falso eu é formado quando uma criança responde a demandas e recompensas externas a fim de obter aprovação e amor dos pais. Quando essas pressões externas entram em conflito com os próprios sentimentos da criança, esses sentimentos são ignorados até que a criança venha a acreditar que os desejos dos pais são seus próprios desejos. Ignorando suas necessidade por tanto tempo, a criança sente-se vazia. Este vazio é sempre negado. É mais fácil, ouvir comerciais que prometem, asseguram que com este ou aquele produto, será possível satisfazer seus desejos (Kanner & Gomes, O eu consumista).

Segundo a endocrinologista Zuleika Halpern, “o estilo de vida atual é uma das maiores causas da obesidade infantil. Muitas mães trabalham fora e quando estão em casa, ainda têm que se dedicar às tarefas domésticas, e acabam deixando os filhos inativos assistido televisão. A falta de tempo também compromete a quantidade das refeições, elevando o consumo de hambúrgueres, batatas fritas e refrigerantes, alimentos altamente calóricos, de baixo valor nutritivo e ricos em gordura saturada. A atividade física da criança de hoje, no geral, é muito menor do que no passado. Brincadeiras na rua foram substituídas por TV, internet, games, etc”.

No Brasil, adolescentes passam cerca de cinco horas por dia diante da TV (Silva & Malina, 2000). Cada hora diante da TV pode resultar em aumento de até 2% em sua prevalência.(Dietz & Gortmaker, 1985). Sabe-se que uma exposição de apenas 30 segundos a comerciais de alimentos é capaz de influenciar a escolha de crianças a
determinado produto (Borzekowski & Robinson, 2001).

Almeida, Nascimento & Quaioti, realizaram uma pesquisa sobre “Quantidade e qualidade de produtos alimentícios anunciados na televisão brasileira”. O objetivo da pesquisa era o de analisar a quantidade e a qualidade de produtos alimentícios veiculados por três redes principais de canal aberto da televisão brasileira em três períodos do dia. Os produtos alimentícios, quando comparados a outros produtos, foram os mais freqüentemente veiculados, independentemente do horário ou do dia de gravação. A análise da qualidade dos alimentos veiculados mostra que a televisão promove, predominantemente, produtos com altos teores de gordura e/ou açúcar e sal.

Conclui-se que a predominância de produtos com altos teores de gorduras e/ou açúcar pode estar contribuindo para uma mudança nos hábitos alimentares de crianças e jovens agravando o problema da obesidade na população.

No Brasil, entre 1988 e 1996, traços marcantes e negativos de evolução do padrão alimentar foram observados nas pesquisas de orçamentos familiares. Observouse tendência crescente na proporção de calorias lipídicas na dieta do Norte e Nordeste; manutenção desse indicador em torno de valores elevados no Centro-Sul; persistência de valores elevados para o colesterol dietético, aumento dos ácidos graxos saturados, e redução dos carboidratos complexos em todas as áreas metropolitanas do país. Além disso, ocorreu estagnação ou redução do consumo de leguminosas, verduras, legumes, frutas e sucos naturais e ascensão do consumo já excessivo de açúcar refinado e refrigerantes (Monteiro, Mondini & Costa, 2000).

Maus hábitos alimentares, especialmente aqueles que acarretam a obesidade infantil, produzem problemas de saúde imediatos e também em longo prazo, visto que cerca de 60% de crianças obesas já sofrem de hipertensão, hiperlipidemia e/ou hiperinsulinemia Freedman, Dietz , Srinivasan & Berenson, (1999).

Linda Riebel, Ph. D., psicóloga especialista em transtornos alimentares, em seu texto “Consumindo a Terra: transtornos alimentares e ecopsicologia”, coloca a seguinte questão: “O que existe na civilização ocidental que favorece o desenvolvimento de pessoas com transtornos alimentares?”. Lee (1996) chama isto de expansão da influência cultural da modernidade, que é “composta por aumento de fartura, medo de engordar, proliferação dos anúncios sobre o corpo, papéis conflitantes da mulher, e propagação da tecnologia biomédica” (p.1).

Características econômicas e culturais de países ocidentais e em desenvolvimento que contribuem para transtornos alimentares:

1. Excesso de comida – indústrias – aumento da disponibilidade e variedade de comida.

2. Disponibilidade de comidas prontas – em qualquer esquina encontramos uma variedade grande de comidas prontas (congeladas), a pessoa não precisa se preocupar em preparar sua alimentação.

3. A valorização do corpo feminino (o corpo da mulher como dinheiro) – esta (Wolf, 1991) questão está ligada com o capital econômico – ingestão de porções milagrosas (dietas severas), etc.

4. A indústria de propagandas – o corpo da mulher é usado para todo tipo de propaganda (automóvel, tapetes, cigarros, roupas, cosméticos, etc)

5. Indústria dos “diets” – implicitamente contribuem para o problema. As propagandas de produtos diets estão relacionadas com mulheres magras. Especialistas concordam que esta é a primeira causa para Transtornos Alimentares ( Garner 1997; Huon, Braganza, Brown, .....)

O QUE FAZER?

Algumas sugestões são dadas:

• Estimular o desenvolvimento de comportamentos alternativos, como, por exemplo, aprender uma nova língua, desenvolver algum talento artístico, jardinagem, etc (Linda Riebel).

• Por meio seu estudo, Almeida, Nascimento & Quaioti, sugerem que “medidas devem ser estudadas, no sentido de alterar o padrão de exposição à TV em jovens e adolescentes, já que, aliadas a políticas públicas de educação alimentar, poderiam prevenir o aumento da taxa de obesidade da população e, assim, reduzir muito gastos públicos com os problemas de saúde desencadeados pelo excesso de peso e sedentarismo”.

• “O melhor tratamento para a obesidade é a prevenção. Refeições de baixa caloria, atividades físicas e abstenção do tabaco devem ser adotadas pela família inteira” (Zuleica Halpern).

• Estudo da Aliança nacional de saúde e Atividades, organização formada por 225 grupos da área de saúde dos EUA, sugere que “os cardápios das redes de fast-food tragam opções de lanches saudáveis e critica as promoções nas quais sanduíches e bebidas podem ter seus tamanhos dobrados por apenas alguns centavos a mais”. Nos EUA, empresas como Coca-Cola e McDonald’s começaram a fazer campanhas que pedem aos consumidores que consumam menos. A idéia por de trás dos anúncios é combater a obesidade infantil, antes que a doença se torne um caso crônico na nova geração que vem aí.

Em minha dissertação de mestrado “Um ambiente virtual de apoio a obesos”, cujo principal objetivo foi criar e implantar um ambiente virtual de apoio a obesos chegamos a algumas conclusões, entre elas:

• O fato de conversar via Internet pode ajudar uma pessoa a aprender a lidar com sua ansiedade (uma das características do obeso), já que existe um tempo entre o que pensamos, o que escrevemos e quando enviamos as mensagens. O nosso pensamento é mais rápido que o escrever e enviar. Segundo Godoy (1998, p.35), “O
ato de escrever é mais lento do que o fluxo do pensamento, por isso o escrever provoca uma desaceleração no curso do pensamento, levando a uma redução do nível de ansiedade, permitindo uma visão mais organizada da realidade e uma reavaliação dos fatos”.

• Assim como nos encontros presenciais, os encontros virtuais proporcionam oportunidades para a pessoa se perceber mais e prestar mais atenção em si e no outro. Com isto, há grande probabilidade da mudança de determinado comportamento ocorrer.

• O espaço virtual também é favorável para se treinarem papéis, experimentarem novas formas de se vivenciarem papéis e criar uma nova cultura. Houve um encontro em que as integrantes de um dos grupos começaram a brincar de criar uma nova cultura, uma cultura em que a comida não era considerada a principal fonte de
prazer de um encontro social.

Como podemos perceber, estas são algumas sugestões do que pode ser e o que já está sendo realizado por profissionais de várias áreas para se prevenir/tratar esta doença, a obesidade, que está se alastrando rapidamente em nosso mundo contemporâneo. Sem dúvida alguma, o início destas mudanças deve começar na família, mas a escola e a sociedade em geral também devem fazer parte desta luta.

BIBLIOGRAFIA

ALMEIDA, S.S., NASCIMENTO P.C.B.D., QUAIOTI,C.B. Quantidade e qualidade de produtos alimentícios anunciados na televisão brasileira. Ribeirão Preto, SP. Pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, 2002.

BORZEKOWSKI, D.L., ROBINSON, T.N. The 30-second effect: an experiment revealing the impact of television commercials on food preferences of preschoolers. J Am diet Assoc, 2001;101:42-6.
BRAY, George A. Obesity: historical development of scientific and cultural ideas. International Journal of Obesity. 14: 909-26, 1990.

DIETZ W.H., GORTMAKER, S.L. Do we fatten our children at the television set? Obesity and television viewing in children and adolescents. Pediatrics, 1985;75:807-12.

FREEDMAN, D.S., DIETZ, W.H. SRINIVASAN, S.R., BERENSON, G.S. The relation of overweight to cardiovascular risk factors among children and adolescents: the Bogalusa Heart Study. Pediatrics 1999;103:1175-82.

HALPERN, Alfredo. Entenda a obesidade e emagreça. São Paulo: MG Editores Associados, 1994. 102 p.

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OLIVEIRA E SILVA, Inabel Elisa. A revelação da obesidade no estar-no-mundo da criança obesa. Dissertação (Mestrado em Psicologia Clínica), Pontífica Universidade Católica de São Paulo, 1993.

REPETTO, Giuseppe. Histórico da obesidade. In: HALPERN, Alfredo, MATOS, Amélio F. de Godoy, SUPLICY, Henrique L., MANCINI, Marcio C., ZANELLA, Maria Tereza (Orgs). Obesidade. São Paulo: Lemos Editorial, 1998. p. 3-13.

SANTOS, Sérgio dos, MOURA, Mauro Tadeu. Como enfrentar a obesidade. 2a ed. São Paulo: Ícone, Campinas: Editora da UNICAMP, 1988. 106 p.

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SOBREIRA, Celina D. B. Um ambiente virtual como apoio a obesos: criação e implantação de um ambiente virtual de apoio a obesos: um estudo comparativo entre duas experiências em andamento, envolvendo um grupo de funcionárias de um hospital público de São Paulo e um grupo de pessoas de Grande São Paulo. Dissertação
(Mestrado em Comunicação Social) – Universidade Metodista de São Paulo, 2001, p. 26-30.

WOODMAN, Marion. A coruja era filha do padeiro: obesidade, anorexia nervosa e o feminino reprimido. Tradução de Adail Ubirajara Sobral. São Paulo: Cultrix, 1980.

Bibliografia referente a documentos eletrônicos
http://www. abeso.org.br>
http://www.eps.ufsc.br/disciplinas/fialho/ergcog/novidade.html (Tradução do texto The All-Consuming Self de Allen D. Kanner e Mary E. Gomes – equipe: Andréia C. dos Passos, Eliane S. B. Gonçalves, Maria de Lourdes A. Feronha)
http://www. gastronet.com .br/centro. htm>
http://www.jb.com.br>
http://www.obesidade.com.br
www.scipione.com.br – Ciência & Sociedade
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/252/negocios/252_quanto_custam_gordos.
http://www.quattro.com.br/rhsintese/ed 22_a.htm