maiores desafios para tornar este público adepto de práticas de exercícios físicos.
Para muitos executivos, parece impossível conciliar a vida profissional com alguns cuidados básicos com a saúde.
Essas são as conclusões de um estudo inédito realizado pelo Centro de Medicina Preventiva do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Nessa pesquisa, os médicos analisaram 400 check-ups realizados no ano passado por presidentes e vice-presidentes de grandes companhias nacionais. Foi o maior trabalho do gênero já realizado no país. Os resultados mostram um panorama assustador (veja quadro).
| Diagnóstico ruim | |
| Segundo pesquisa do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, realizada com 400 presidentes de empresas no Brasil, a maioria dos altos executivos cultiva hábitos que comprometem a saúde e corre o risco de desenvolver doenças graves nos próximos anos | |
| Retrato preocupante | 70% têm sobrepeso |
| Riscos potenciais | 40% corre o risco de desenvolver depressão ou outros distúrbios psicológicos |
| (1) Gordura no sangue proveniente de alta ingestão de açúcar | |
(Fonte: Revista Exame, julho de 2006)
Por mais que se somem evidências clínicas e estatísticas para comprovar a eficácia das intervenções não farmacológicas, motivar as pessoas para fazê-las compreender a importância dessas recomendações é uma tarefa árdua e frequentemente inglória. No tocante à prática de exercícios físicos, o número de desculpas se avoluma, como falta de tempo disponível, não gostar de fazer exercícios físicos, detestar o ambiente de academias, custos etc., embora o mais próximo da verdade seja que quem realmente quer fazer faz e acaba gostando. Despertar o gosto e o prazer de praticar exercícios físicos é o cerne do problema.
Não se estranha que esses fatores causem um grande desconforto nos profissionais de saúde, notadamente no atendimento de pessoas com riscos de saúde eminentes.
Existem diversos fatores apontados como relacionados a pratica de exercícios físicos: Demográficos – características como sexo, idade e classe social influenciam na prática de exercícios.
Biológicas – características de saúde e de condição física influem na prática de exercícios
Psicológicos – conhecimentos, crenças e atitudes pessoas em relação ao exercício e à saúde também influenciam.
E outros como: Ambientais, Sociais, do próprio programa (local, intensidade, monotonia, liderança).

Além das determinantes da adesão, o conhecimento sobre o processo de mudança de comportamento também pode auxiliar na elaboração de estratégias de intervenção para aumentar a adesão ao exercício. Na área da saúde, diversas teorias e modelos têm sido desenvolvidos para explicar como ocorre a modificação de comportamentos. Algumas dessas teorias, embora desenvolvidas para outras mudanças comportamentais (parar de fumar, e de usar drogas), têm sido aplicadas com relativo sucesso ao exercício. Entretanto nem sempre tem obtido o êxito esperado.
Para qualquer ação ter eficiência, a pessoa deve perceber a necessidade e os benefícios do exercício para aderir a sua prática. De fato, muitos trabalhos realizados verificam que a inclusão de estratégias de intervenção em programas de exercícios físicos, é capaz de aumentar a taxa de adesão de 50 para até 88%, como confirmam alguns estudos. Entretanto, a manutenção da adesão após a intervenção ser retirada tem sido menos encorajadora e precisa ser mais investigada.
Características específicas do programa de exercício físico: Uma vez que se inicia um programa de atividade física, deve-se incorporar essa atividade em uma rotina, assim como tomar café da manhã ou escovar os dentes.
Para que isso ocorra o programa deve ser motivador, satisfazer uma necessidade, ser divertido, achar um apoio social (a família, amigos ou colegas de trabalho) e ter evidência de mudança. Para assegurar a participação por toda a vida, o indivíduo deve passar da motivação extrínseca para a intrínseca. Tornar-se auto-suficiente, independente do instrutor e do local e desenvolver estratégias para lidar com ameaças à participação continuada. Não é incomum para os participantes ter uma recaída, voltar à inatividade após uma mudança inicial para melhor. A recaída pode ter muitas razões indo das emocionais, sociais e físicas.
Considerando que o fato é tão comum a pessoa não deve deixar que isso a desestimule. É parte do processo de mudança tanto para atletas quanto para iniciantes, assim como numa dieta (de redução calórica) é normal acontecer. E conscientizar que essa fase é parte do processo é um fator decisivo na continuidade de qualquer ação.
Algumas considerações sobre prescrição de exercício físico: Não se deve esquecer que um profissional de Educação Física é a pessoa mais indicada e qualificada para prescrever e acompanhar o exercício físico. Levando em conta que a prescrição tem como finalidade aprimorar a aptidão física, promover a saúde através da redução do risco para doenças crônicas (pressão arterial alta, intolerância a glicose, obesidade, estresse, entre outras) e garantir a segurança durante a execução dos exercícios. Os componentes essenciais de uma prescrição sistemática e individualizada do exercício incluem: modalidade apropriada, a intensidade, a duração, a freqüência e a progressividade da atividade física.
Esses cinco componentes se aplicam ao elaborar as prescrições dos exercícios para pessoas de todas as idades e níveis de aptidão, independentemente da presença ou ausência de fatores de risco e doenças. A prescrição ótima do exercício para cada indivíduo é determinada a partir de uma avaliação objetiva da resposta desse indivíduo ao exercício, incluindo as observações de freqüência cardíaca (FC), pressão arterial (PA), resposta subjetiva ao exercício (TEP), eletrocardiograma(ECG) quando aplicável e VO2max. medido diretamente ou estimulado durante um teste de esforço gradativo. Entretanto, a prescrição do exercício deve ser desenvolvida levando-se em conta o estado de saúde do indivíduo (incluindo suas medicações), o perfil de fatores de risco, as características comportamentais e ambientais, os objetivos pessoais e as freqüências em relação ao exercício. As prescrições dos exercícios terão que ser modificadas conforme as respostas e adaptações individuais observadas.
Um objetivo fundamental da prescrição do exercício consiste em induzir uma mudança no comportamento pessoal em relação à saúde de forma a incluir uma atividade física habitual. Por tanto se pode afirmar que a prescrição mais adequada é aquela que mais ajuda a conseguir essa alteração comportamental de uma pessoa e ao mesmo tempo, seja estimulante para que se torne uma atitude permanente.
Por isso é essencial o conhecimento profundo dos métodos que permitem modificar os comportamentos para estabelecer ações na área da saúde.
“A arte da prescrição do exercício é a integração bem sucedida da ciência do exercício com as técnicas comportamentais que resultam em adesão em longo prazo ao programa e na obtenção dos objetivos do indivíduo”. (ACMs Reasource Manual for Guidelines for exercise testing and Prescription, 3ed.1998.)
* Professora de Educação Física, CREF: 009808-G/SP. Mestre em educação pela universidade de São Paulo. Participa do GENAF desde 2003. Atua no PAPO (programa de atividades físicas para o paciente obeso), do Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente, da Universidade Federal de São Paulo. Vice-presidente do Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Obesidade (INBIO).
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